"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
Nelson Mandela.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Lei nº 10.639 estabelece as diretrizes e as bases da Educação Nacional que inclui nos currículos da rede de ensino a obrigatoriedade da História e Cultura Afrobrasileira e Africana. Dessa forma, procura desenvolver um respeito a cultura negra no Brasil, permitindo uma educação de cidadãos atuantes na sociedade pluriétinica e multicultural brasileira, tendo como capacidade a construção da verdadeira sociedade democrática.Entende –se que todos possuem uma identidade e essa deve ser valorizada e resgatada.
 A  Lei nº 10.639 e, posteriormente a Lei 11.645 , que  dá a mesma orientação quanto a temática indígena,  não são apenas instrumentos de orientação para o combate à discriminação. São também Leis afirmativas, no sentido de reconhecer a escola como lugar da formação de cidadãos e afirmam a relevância da escola promover a necessária valorização das matrizes culturais que fizeram o Brasil um país rico, múltiplo e plural.
Abordar de forma pedagógica, em sala de aula, tais temáticas torna –se uma exigência mais que urgente e necessária.
Trabalhar a Africanidade, as relações étnicas no Brasil, a temática  Indígena e a identidade brasileira não é uma decisão solitária de um ou outro professor que se identifica com estas questões, deve ser uma ação coletiva, organizada e articulada entre todas as instâncias do espaço escolar com o objetivo de compreendermos, que preconceito e discriminação são aprendidos e propagados pela cultura de cada grupo e que é pelo conhecimento que podemos construir novos conceitos e novas posturas acerca destas questões.

Equipes Multidisciplinares são instâncias de organização do trabalho escolar, preferencialmente coordenadas pela equipe pedagógica, e instituídas por Instrução da SUED/SEED, de acordo com o disposto no art. 8º da Deliberação nº 04/06 – CEE/PR, com a finalidade de orientar e auxiliar o desenvolvimento das ações relativas à Educação das Relações Étnico-Raciais e ao Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, ao longo do período letivo.
As Equipes Multidisciplinares se constituem por meio da articulação das disciplinas da Base Nacional Comum, em consonância com as Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Básica e Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, com vistas a tratar da História e Cultura da África, dos Africanos, Afrodescendentes e Indígenas no Brasil, na perspectiva de contribuir para que o(a) aluno(a) negro(a) e indígena mire-se positivamente, pela valorização da história de seu povo, da cultura, da contribuição para o país e para a humanidade.
  
AÇÕES DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

·         Valorizar a presença dos educadores (as), alunos (as) negros (as) e indígenas do estabelecimento de ensino, promovendo a capacitação, participação e motivação dos mesmos em cursos, palestras e oficinas, promovidas pela SEED, IES e outras instituições

·         Desmistificar o conceito do Paraná ser um Estado de descendência europeia, desenvolvendo discussão das estatísticas referentes à população negra e indígena nos municípios e suas situações sócio-econômicas e culturais.

·         Quebrar os preconceitos em relação às religiões de matriz africana e indígena, buscando dar visibilidade aos alunos, professores e funcionários dessas religiões, buscando a equidade e respeito entre as diversas religiões existentes no Brasil.

·         Interferir nos possíveis conflitos étnicos presentes no cotidiano da escola, realizando o diálogo, a capacitação e o aprender o respeito às diversidades étnicas

·         Promover o intercâmbio entre a escola e o Movimento Negro, estabelecendo diálogo entre as ações do Movimento Negro no campo da educação e suas implicações no cotidiano da escola.

·         Estabelecer a efetivação no PPP da escola e no Plano Curricular das diversas disciplinas, conteúdos e discussões com relação à educação para a promoção da igualdade étnico-racial.

·         Desconstruir ações de cunho racista em todo o espaço escolar entre professores, alunos e funcionários

·         Socializar com toda a comunidade escolar os conteúdos apreendidos em capacitações, cursos, oficinas e palestras relacionadas à temática das relações étnico-racial.

·         Interagir com os educadores em suas práticas educativas para que promovam a educação para as relações étnico-racial no cotidiano da sala de aula, pensando conteúdos, práticas cotidianas e relações professor-professor, professor-aluno, professor-funcionário, funcionário-aluno.

·         Oficinas à comunidade escolar nas Semanas Pedagógicas, cujo cada membro da equipe fará a formação na instância de representação, cujas oficinas serão organizadas durante as reuniões pedagógicas e/ou nos sábados letivos.

·         Orientar os funcionários da secretaria que no ato da matrícula seja questionado o item cor/raça dos discentes, bem como tabulação de dados, como determina a deliberação da SEED, justificado pelo fato da necessidade de postar dados sobre a representação étnica e identidade dos discentes, com o objetivo de mapeamento étnico do colégio.

·         Criar uma biblioteca específica sobre a educação das relações étnico raciais e história e cultura afrobrasileira e indígena com a livros, teses, artigos, dissertações sobre a temática

·         Mapear a comunidade para conhecer a história e percurso de ação e mobilização da população negra e indígena da cidade/comunidade como também, sua participação em movimentos, associação/organização de bairro, clubes, entre outros. 

·         Articular Projetos de Extensão com as Instituições de Ensino Superior Públicas, Privadas, o Movimento, Terreiros ou Ilês, quando estes dois últimos existirem na comunidade/cidade, para capacitação de diferentes conteúdos em relação à História e Cultura Africana, Afrobrasileira e Indígena.

·          Explicitar, conhecer e divulgar a importância das Cotas/reserva de vagas para negros e indígenas para democratizar o acesso ao Ensino Superior público e em instituições de ensino superior privadas pelo PROUNI, assim como outras ações afirmativas existentes na sociedade.


Profª. Cristiane Pereira Britto
Profª. Jane Márcia Madureira Arruda
Prof. Neuton Damásio Pereira
FAXINAL DO CÉU
2010

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